quinta-feira, 12 de abril de 2012

O rastro sujo
da energia limpa
Todas as supostas
vantagens da energia eólica e da energia solar já foram apresentadas à
exaustão. Agora é hora de lembrar os problemas delas
Por: Robert Bryce

Nos últimos 10 anos,
países do mundo todo investiram pesado em programas de energia renovável. Afinal,
sol e vento são grátis, não é mesmo? O que ambientalistas nem sempre veem é que
convertê-los em energia tem um custo alto -
em dinheiro e recursos naturais.
Pegue
como exemplo a energia eólica. Uma turbina precisa
de 50 toneladas de estanho para produzir 1 megawatt de energia. Já com gás natural,
uma turbina produz essa mesma energia com apenas 0,3
tonelada de estanho. O vento pode sair de graça, mas precisamos de minérios
para erguer a infraestrutura que permitirá gerar energia.
Os minérios não são o
único recurso natural exigido pelas energias renováveis. Também temos de
encontrar muita terra disponível. Os números mostram por quê: em cada metro
quadrado de terreno, é possível gerar 1 watt com energia eólica, 20 vezes menos do
que qualquer usina de gás natural. A energia solar precisa de áreas
menores. É possível produzi-la no seu próprio telhado, como eu faço: gero 3,2
quilowatts com painéis solares sobre minha casa, o que dá cerca de 30% da eletricidade que eu, minha esposa
e nossos 3 filhos consumimos. O custo de instalação dos painéis tem baixado cada
vez mais, e hoje está em US$ 5 mil por quilowatt. Mas é um custo similar ao da energia nuclear - que tem a
vantagem de funcionar também à noite.
A prática mostra quão
dispendiosas podem ser as energias renováveis. O estado americano da Califórnia
pretende obter um terço da sua energia (cerca de 17 mil
megawatts) de fontes limpas em 2020. Se essa meta for dividida meio a meio
entre sol e vento, será necessário ocupar uma área 5 vezes maior do que
Manhattan para os painéis solares e outra 70 vezes maior do que a ilha para as
turbinas eólicas.
Não que devamos parar
de investir em energias renováveis. Mas precisamos ser claros quanto ao retorno
que podemos ter com elas. O Brasil é um exemplo: tido como representante da
importância do etanol, produz quase 28 bilhões de litros de álcool por ano. É
pouco perto do que o país precisa. Petróleo e gás natural geram 9 vezes mais energia, segundo números da
Petrobras. Sem contar o dinheiro que é preciso investir para alavancar as
energias renováveis. Alguns países já perceberam que talvez seja um investimento
alto demais. Nos EUA, o Senado cortou US$ 6 bilhões de subsídios para o etanol
de milho. A Espanha reduziu o apoio financeiro à energia solar e eólica.
A solução correta
para a questão energética depende das características de cada país. A energia solar pode ser uma boa
alternativa para a Arábia Saudita. A hidrelétrica para o Brasil e para a África
Central. Se queremos reduzir as emissões de carbono, devemos olhar para dados e
fatos. E não excluir opções como a energia nuclear, que segue
como uma das nossas melhores opções, apesar do acidente de Fukushima, no Japão,
no início deste ano.
* Robert Bryce é pesquisador associado do Centro
de Polícia Energética e Ambiental do Manhattan Institute e autor do livro Power
Hungry: The Myths of "Green" Energy and the Real Fuels of the Future.

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